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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Bonsai e Verão

Já faz um tempo que estamos na estação, mas deicidi que essa postagem viria à ser mais adequada por esta época.

De modo geral, o Brasil tem um clima com temperaturas mais elevadas, e no verão, a intensidade do sol tende à tornar essas temperaturas mais altas, além das tradicionais chuvas da época. Embora já tenha tocado indiretamente no assunto, cabe um post mais dedicado aos cuidados para as plantas nesta época.

Em primeiro lugar, como nós humanos, as plantas desidratam, portanto, é indicado o aumento de regas, ao nascer do sol e no fim da tarde. Algumas plantas especialmente delicadas devem receber uma rega aérea entre 10 da manhã e 13 horas, para evitar queima de folhas.

Como a intensidade do sol aumenta, o uso de sombrite, ou ao menos trocar o bonsai de local também são medidas a serem tomadas. Algumas espécies devem ser mantidas no sol pleno, especialmente as nativas, mas a maioria deve ser mantida à meiassombra nesta época.

Em relação à alporquias, estaquias e podas, ambas devem ser feitas com cuidado, mas é uma época interessante para tais técnicas. As plantas estão no pico de suas atividades de crescimento, e portanto, os resultados vem rápido, contudo, uma poda mal feita pode fazer com que a planta "queime", perdendo muita água em decorrencia dos cortes, ficando impedida de se recuperar adequadamente.

Em relação aos adubos, como as plantas entram em um pico de desenvolvimento nesta estação, é interessante aumentar a quantidade ou a frequencia (nunca ambos), mas não mais do que 20%  do que o habitual, e evite o aumento se utilizar or quimicos. Eles são bem concentrados, então não existe uma grande necessidade de tal aumento, salvo se houver especificação no produto.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sashiki - Propagação por estaquia

Utilizado em grande escala, não só por praticantes de bonsai, mas qualquer um que tenha de propagar plantas, especialmente fruticultores. O sashiki (estaquia), é muito útil para o bonsaísta iniciante, pois durante as podas se produz muito material que pode ser utilizado para essa técnica. Em alguns casos, a retirada de galhos mais velhos com formas interessantes, é plenamente viável.

As estacas podem ser produzidas por qualquer parte da planta, contudo, alguns cuidados devem ser tomados ao escolher a futura muda:

1) Evite galhos com flores e frutos. A energia do galho está voltada para a estes elementos, e a chance de que ele enraize serão mais baixas que de um galho mais "simples".

2) Não use brotos muitos jovens. São muito frágeis e sensíveis, morrerão rápido.

3) Prefira estacas de tronco já lenhoso, ou com firmeza. A maturidade destes ramos facilitará o enraizamento.

Em relação à técnica, alguns elementos irão maximizar as chances de que seu sashiki se torne uma muda viável, e futuramente, um belo bonsai:
  • Limpe e esterelize a ferramenta de corte. Isso diminuirá as chances de infecções na planta. Lembre que as plantas são seres vivos também, e são vulneráveis à doenças provocadas por microorganismos tanto quanto nós.
  • Faça um corte limpo (um golpe rápido e preciso) do ramo logo acima de uma gema, e abaixo de outra. Estes são os pontos com maior vitalidade e capacidade de regeneração dos ramos.
  • O corte deve ser em um ângulo de 45 graus em relação ao ramo (mais ou menos o que os floristas fazem com flores de corte). Isto ajuda a planta em sua hidratação. Se ela ainda tiver lenho, expor a "parte verde" retirando a casca da parte onde será a raíz, também pode ajudar.
  • Use uma mistura simples de 3 partes de terra comum e 2 de areia lavada para as mudas, longe do Sol.
Estes são apenas alguns elementos básicos desta técnica, lembre-se que cada espécie tem suas próprias exigências, e nem todas conseguirão ser bem sucedidas em reproduzir-se por ela.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Araki - A técnica da natureza

Significando "madeira nova" em japonês, também conhecido como Gemboku, "madeira crua", é toda e qualquer planta cuja origem seja exclusivamente da natureza, cujo tamanho tenha sido contido pelas próprias condições de onde ela germinou, e já com os anos postos sobre seu tronco. No Japão, tradicionalmente o termo se aplica àquelas plantas que foram retiradas das montanhas, mas no restante do mundo onde o bonsai fincou raízes, o termo se torma mais amplo e referente à quase qualquer planta, muda ou madura, que tenha sido coletada em nas florestas ou retiradas de muros e terrenos baldios.

Araki no Brasil

No Brasil é normal entender o araki seguindo a linha mais geral, de qualquer planta recolhida na natureza e plantada em vaso sobre a orientação dos métodos e técnicas do bonsai. Contudo, temos alguns problemas para aplicá-lo por aqui, o principal sendo nossa legislação ambiental. Plantas nativas de biomas ameaçados ou protegidos, assim como as ameaçadas de extinção, de corte regulamentado e situações afins, por lei, não podem ser retiradas de seu sítio de origem sem prévia permissão do órgão responsável (Ibama, secretarias de meio ambiente estaduais e afins), sob pena de reclusão e multa. O araki em campo, desse modo, se torna praticamente proibido na maioria de nosso território, e mesmo os efetuados nas cidades, dependendo da legislação em vigor, podem também ser ilegais, pois a derrubada de árvores em terrenos particulares pode também ser legislada e somente por permissão das prefeituras.

Outro problema é que as espécies nativas ou comuns, apesar de já terem em grande parte sido incorporadas aos halls de plantas dos praticantes, ainda detém o estigma leigo de não serem "essencialmente japonesas", o que faz com que muitas plantas com potencial para serem lindos bonsai acabarem mortas. É um problema menor, pois a grande parte dos praticantes acaba, depois de algum tempo, adotando-as, e os esforços das associações de bonsai pelo país tem feito belos e eficientes esforços nesse sentido, além de popularizar a arte.


Técnicas de Araki

Pouco é necessário saber para o araki, o que não quer dizer que não é importante. O primeiro à saber, é que se você irá derrubara maior parte da árvore para usar basicamente uma parte ínfima dela, qualquer que seja, não é araki. O araki pressupõe a planta como um todo sendo retirada da natureza com o menor stress e intervenção possível. Apenas alguns raros casos, a maioria envolvendo doenças, fazem exceções à esta regra.

A segunda regra mais importante é em relação à raíz. A maioria dos arakis provém de locais cujo substrato ou espaço fazem com que elas estejam com algum comprometimento, então quanto menos interferência elas tiverem, melhor. Quando envazá-la, observe as técnicas de reenvazamento e conhecimento sobre a espécie específica, para garantir o máximo de saúde possível da planta.


Araki e o Iniciante

O araki é uma das mais importantes partes do conhecimento do bonsaísta. Não porque se trata de uma fonte de aquisição de material para trabalho e item de coleção, muitas vezes erroneamente assim tratados pelo inciante, mas por serem uma ferramenta para o treino da percepção do artista sobre o mundo que o cerca. Um araki não é "só" uma plantinha que vc achou bonita, uma espécie difícil de achar que você "deu sorte" ou mais uma para a coleção. É antes de tudo, uma demonstração da sua própria percepção do mundo, exposta totalmente. Uma muda que será um desafio, uma planta antiga que é um "bonsai in natura", uma planta jovem que não precisa de muito trabalho, e tantas outras possibilidades, sua escolha principal sobre o araki é seguramente o mais límpido modo de olhar para nosso "eu" interno relacionando-se com o mundo.



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